A vergonha que a pandemia mostrou

Por Liberato Caboclo*

Na atual pandemia pelo Coronavírus, além da limitação dos recursos destinados à assistência médica, ficou evidente a nossa vergonhosa indústria farmacêutica, para não se dizer criminosa. Talvez muitos não saibam, mas por mais inacreditável que seja no Brasil não se sintetiza um único fármaco, sequer uma aspirina. Os chamados laboratórios são farmácias de manipulação de grande porte.

Os genéricos são um engodo concebido de modo idealista, mas  não considerando a realidade reinante. Os genéricos são remédios manipulados pelos chamados laboratórios nacionais, usando produtos estrangeiros importados, tal como fazem as farmácias de manipulação. A única diferença é que as farmácias de manipulação são muito fiscalizadas, enquanto os laboratório nem tanto.

Os ‘laboratórios’ financiam campanhas. Prestes, antes de morrer, disse ter sido um erro dele prestigiar o capitalismo brasileiro. Se é que teve algum acerto. Preço por preço prestigiem as farmácias de manipulação. São mais sérias, geram empregos na sua cidade e impostos para o erário municipal. Faltar midazolam, derivados do propranolol representa um retrocesso de um século. Os ianomâmis já fabricavam “curare” antes da chegada de Cabral.

E o Ministério da Ciência e Tecnologia e as escolas federais de farmácia e química? Onde estão que não respondem?

*Liberato Caboclo é médico e ex-prefeito de São José do Rio Preto

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