Artigo – Uma cidade para todos

Por Adriano Nascimento*

Vivemos um dilema na sociedade atual: para que se viva bem e se tenha garantido os direitos, existem padrões sociais que estabelecem a possibilidade ou não de sermos aceitos em determinados espaços. Padrões que, por sua vez, são excludentes!

Há décadas estamos enfrentando crises que vão além das crises econômicas. Enfrentamos sistematicamente crises éticas, crises sanitárias, crises humanitárias, crises morais, crises de destino. E todas elas têm a mesma origem, a desigualdade.

Enquanto a grande massa da população se vira como pode, entregando por aplicativo seu tempo de vida em trabalhos insalubres, sem dignidade ou direitos, os bilionários brasileiros abocanharam 34 bilhões de dólares, cerca de 170 bilhões de reais, durante os cinco meses mais críticos da pandemia.

Entender a perversidade dessa estrutura nos dá a percepção do quanto é urgente a necessidade de se debater novos modelos de desenvolvimento econômico, social e urbano.

Nas cidades, vemos cada vez mais condomínios fechados e áreas exclusivas com seguranças particulares armados. E há quem chame isso de qualidade de vida. Nos extremos destas mesmas cidades vemos as periferias, onde não há, ou há muito pouca, presença do poder público e a consequente falta de acesso a direitos básicos.

Estas discrepâncias evidenciam a falência desse velho modelo de desenvolvimento, que abandona as periferias à propria sorte e ilude a classe média, dando a falsa impressão de liberdade. Mas o fato é que não há liberdade se os espaços públicos das cidades ficam vazios, seja por falta de acesso, seja por falta de segurança. E esse é o principal indicador de disfuncionabilidade de uma cidade.

Uma cidade funcional e verdadeiramente democrática, é aquela que garante o acesso de todos, sem distinção, a seus espaços públicos, tais como, parques, praças, atividades culturais e serviços. Uma cidade para todos é aquela onde as pessoas se sentem pertencentes à comunidade, com a ideia de que suas casas vão além dos muros e cercas elétricas.

Para que isso seja possível, é preciso que haja boa vontade na atuação do poder público, visando o bem comum através de políticas de inclusão e a superação da lógica do cada um por si que hoje determina quase todas as relações sociais.

*Adriano Nascimento é professor, colunista colaborativo, ativista social do Movimento Mirassol Popular, graduando em Gestão Pública e ativista dos Direitos Humanos, certificado pela Anistia Internacional.

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