Empresários e intelectuais lançam manifesto pelas urnas eletrônicas

"Vamos ficar quietos assistindo tudo isso?", questiona ex-presidente da Febraban

Um manifesto assinado por mais de 250 acadêmicos, empresários, intelectuais, políticos, artistas e outras personalidades da sociedade civil pede respeito às eleições de 2022 e a garantia de realização do pleito, em resposta às ameaças do presidente Jair Bolsonaro.

Ex-presidente do Santander e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Fábio Barbosa afirmou que o manifesto assinado por empresários e integrantes da elite financeira em apoio ao sistema eleitoral representa uma mudança na postura dos empresários.

“Muitos setores têm se manifestado. A gente entendeu que esse mundo empresarial não havia se manifestado. Nosso ponto de vista é que o sistema é confiável e não há razão para duvidar da legitimidade das eleições que aconteceram. Vamos ficar quietos assistindo a isso aqui ou vamos participar e colocar nosso ponto de vista?”, afirmou Barbosa.

Ao jornal O Estado, o banqueiro disse que o movimento em torno do manifesto, que vem reunindo milhares de assinaturas, começou com um grupo de 30 pessoas ligadas ao Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP). Em 24 horas já eram seis mil assinaturas, eu vem crescendo a cada dia.

“[O manifesto] tem um impacto por ser uma manifestação de empresários que normalmente não se manifestam e evitam entrar em discussões políticas”, avaliou Barbosa.

O manifesto

O documento pede respeito às eleições de 2022 e a garantia de realização do pleito, em resposta às ameaças golpistas de Jair Bolsonaro. O texto cita a crise sanitária, social e econômica, as mortes pela Covid-19 e o desemprego.

Entre os signatários estão nomes de peso do mundo empresarial e financeiro, como Frederico e Luiza Trajano, do Magazine Luiza, Pedro Moreira Salles e Roberto Setubal, do Banco Itaú Unibanco, Carlos Jereissati, do Iguatemi, Pedro Passos e Guilherme Leal, da Natura, e Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde.

Também assinam economistas como Armínio Fraga, Pedro Malan, Ilan Goldfajn, Persio Arida, André Lara Resende, Alexandre Schwartsman e Maria Cristina Pinotti.

Veja na íntegra

“O Brasil enfrenta uma crise sanitária, social e econômica de grandes proporções. Milhares de brasileiros perderam suas vidas para a pandemia e milhões perderam seus empregos.

Apesar do momento difícil, acreditamos no Brasil. Nossos mais de 200 milhões de habitantes têm sonhos, aspirações e capacidades para transformar nossa sociedade e construir um futuro mais próspero e justo.

Esse futuro só será possível com base na estabilidade democrática. O princípio chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico. A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias. O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados.”

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