O futuro da educação em jogo

Adriano Nascimento*

Não é segredo para ninguém os muitos desafios e limitações presentes na educação brasileira, sobretudo na educação pública. A falta de investimentos em estrutura e modernização e a pouca valorização dos servidores é só a ponta do iceberg desse problema crônico que impacta negativamente toda a sociedade.

No Brasil há cerca de 1,5 milhão de indivíduos em idade escolar fora da sala de aula e para cada 100 alunos que ingressam na primeira série, apenas 11 chegam à universidade. Estes dados evidenciam a necessidade imediata de ampliar o acesso e de melhorias no sistema público de ensino.

Em Mirassol o número de alunos matriculados no Ensino Fundamental I da rede pública de ensino caiu de 3.313 para 2.884 entre 2009 e 2019, os matriculados no Ensino Fundamental II caiu de 2.785 para 2.401 no mesmo período. A estimativa de atendimento das crianças de 0 a 3 anos em creches em Mirassol em 2020 foi de 45% menor que a média estadual causando uma evidente demanda suprimida (falta de vagas).

Diante deste cenário espera-se do poder público medidas que visem a valorização dos servidores e melhorias no sistema de ensino como um todo para que a comunidade escolar seja atendida de maneira adequada, especialmente em um cenário de pandemia. No entanto, o que estamos vendo nos últimos meses são investidas em reformas que visam o desmonte de um plano de carreira conquistado através de muita luta por parte dos servidores da educação mirassolense, entre outros retrocessos. Outro aspecto que merece atenção é o fim das chamadas aulas remotas – ou EAD – justamente no momento em que o morticínio causado pela Covid-19 atinge seus piores índices na cidade, já são 7.466 casos e 230 mortes decorrentes da Covid em Mirassol.

Evidentemente há necessidades de reformas dentro da rede de ensino em Mirassol e uma das mais urgentes é a valorização da categoria das monitoras e berçaristas, mas isto não pode ocorrer ao custo de desmontes e retrocessos causando danos não apenas aos servidores, mas a toda comunidade escolar. Tais reformas só serão legitimas se debatidas democraticamente com a ponta. Determinações vindas de cima pra baixo, de forma arbitrária, só causarão desgaste no relacionamento da administração com uma categoria já fragilizada por equívocos do passado. O diálogo é instrumento determinante da democracia e a educação o único caminho possível rumo ao progresso.

*Adriano Nascimento é Colunista Colaborativo do Jair Lemos Blog / Ativista Político / Graduando em Gestão Pública, Pós graduando em Gestão de Cidades e Planejamento Urbano.

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