O recado das urnas

Por Adriano Nascimento*

Nas últimas semanas, o Brasil foi às urnas eleger seus representantes e decidir qual será o modelo de desenvolvimento das cidades para os próximos quatro anos.

Vimos alguns fenômenos ocorrendo que sugerem mudanças no panorama político do país. A derrota avassaladora do bolsonarismo, que não conseguiu eleger sequer vereadores, e também uma derrota histórica do PT, que pela primeira vez desde a redemocratização em 1988, não conseguiu eleger prefeitos em nenhuma capital.

O bolsonarismo aparenta já ter chegado ao seu limite e o antipetismo demonstra estar ainda muito presente. Constata-se que o enfraquecimento do PT atrofiou o bolsonarismo.

Em Mirassol, tivemos uma eleição marcada pelo elevado número de candidatos. No total foram sete candidaturas disputando os 44.262 eleitores. Entretanto, como já apontei em outras oportunidades, o elevado número de candidaturas não representou pluralidade de ideias, uma vez que todas elas partiam do mesmo espectro político e apresentaram projetos muito similares com o que já vem sendo feito na cidade e que não previam as reformas e mudança de prioridades que Mirassol merece e precisa.

Muito por isso, por não haver uma alternativa, um projeto de futuro que busque transformações estruturais e reformas administrativas que invertam as prioridades do poder público da cidade, dando protagonismo às pessoas, que pudemos observar uma abstenção recorde de quase 40% nas eleições locais. Isso mesmo, quase metade da população não se sentiu representada nessas eleições e deu um recado alto e claro através das urnas. Recado de que a velha forma de se fazer política por parte de quem sempre esteve à frente em Mirassol, se renovando através de nomes mas que não altera o rumo político da cidade, se esgotou.

Estamos diante da oportunidade e da necessidade de construção de um projeto que resgate a esperança na política e que demonstre que ela pode ser feita de forma solidaria, ouvindo e buscando soluções para e com as pessoas. Uma alternativa que busque representar os anseios há muito tempo negligenciados a maioria do povo.

*Professor, Colunista Colaborativo, Ativista Social do Movimento Mirassol Popular e da Frente Mirassol Sem Medo. Graduando em Gestão Pública e Ativista dos Direitos Humanos certificado pela Anistia Internacional.

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