Responsáveis pelo megavazamento de dados ainda são ignorados

Usuários devem ficar atentos para quaisquer movimentações financeiras suspeitas

Descoberto e divulgado na semana passada, os dados vazados de 223 milhões de brasileiros estão expostos na DeepWeb [de difícil acesso] e o Ministério da Justiça ainda não conseguiu descobrir de onde eles vieram. Inicialmente, a Serasa foi apontada como possível culpada, mas as investigações indicam que uma única empresa não poderia deter todas as informações expostas — que vão de CPF até fotos, passando por número de telefone, endereço e renda. 

Os impactos do megavazamento de dados podem durar anos, afirmam especialistas do setor. Segundo os executivos, o material exposto pode acabar gerando inúmeros casos de fraudes, como criação de contas e CNPJs falsos em instituições financeiras para lavagem de dinheiro, compras com cartão de crédito, entre outras.

Segundo especialistas, o mais perturbador é que pouco pode ser feito para evitar o uso dessas informações – não é nem possível saber quem foi afetado. Marco DeMello, presidente executivo da PSafe, diz que os usuários devem ficar atentos para quaisquer movimentações financeiras suspeitas, como compras em cartões de crédito e dívidas.

 “Os criminosos que compram esses dados podem assumir a identidade dessas vítimas e criar dívidas e baixar escrituras em nome delas. Há vários crimes que podem ser cometidos com dados tão completos.”

Jéferson Campos Nobre, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concorda que há pouco o que fazer até que alguma movimentação suspeita seja feita. Caso algo anormal aconteça, o ideal é formalizar um boletim de ocorrência, citando o vazamento em 19 de janeiro.

Para o cidadão, não há como saber se os dados fazem parte do pacote vazado. Não há apps ou serviços que prestam esse tipo de ajuda no momento. Porém, para DeMello, dada a magnitude do vazamento, é difícil que algum brasileiro não tenha sido afetado. “A essa altura, todos os CPFs estão nessa base roubada. Estão lá meus familiares, meus sócios, minha equipe e qualquer coisa que eu pesquise. É assustador”, diz.

-Com InfoMony/G1-Globo

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