Um por todos…!

Três jovens cidadãos mirassolenses falam sobre um novo formato da política

Corrupção, fisiologismo, assistencialismo, falta com a ética e o decoro, compra de votos e outras práticas espúrias não são suficientes para afastar os jovens brasileiros desta que é a mais antiga forma de normalizar a convivência entre os habitantes de uma comunidade: a política.

Para se ter uma ideia, na eleição de 2018, quase 1,5 mil candidatos jovens disputaram as eleições, muitos se elegendo para uma vaga no Poder Legislativo, levando propostas inovadoras e pautas contextuais, passando principalmente pelas demandas das minorias, do meio ambiente e principalmente pela participação popular.

Este ano ainda não se tem os dados fechados sobre esta estatística, mas é de se supor que o número seja alto. Olhando para Mirassol já se pode dizer que por aqui também está brotando o mesmo interesse por uma forma de fazer política diferente de como a conhecemos. E vem diminuindo a idade dos candidatos.

O candidato mais votado de Mirassol, Caco Navarrete (PSD), com 888 votos, e Júlio Roberto Sicard Salomão de Freitas, ou simplesmente professor Júlio Salomão (PL), que obteve a segunda colocação, com 743 votos, são exemplos dessa possível mudança. Caco tem 39 anos e Júlio, 34.

Essa mudança de que estamos falando, principalmente se bem sucedida, pode ocorrer com mais força na próxima eleição porque germinou forte no contato de Caco e Júlio com os embrionários movimentos Mirassol Popular e Frente Mirassol Sem Medo, liderados também por um jovem professor, Adriano Nascimento, 33 anos, ativista social desses dois movimentos, e também dos Direitos Humanos certificado pela Anistia Internacional.

Nesta entrevista, vamos conversar com esses três jovens cidadãos preocupados com uma nova forma de se fazer política, a fim de saber o que pensam e o que planejam para os próximos anos.

Jair Lemos – O que jovens como vocês – Adriano, Caco e Júlio – fazem no desgastante e às vezes cruel meio político, quando poderiam estar em casa assistindo TV com a família ou curtindo a vida com os amigos?

ADRIANO – Não há transformação social sem dedicação e coragem. A política perdeu a capacidade de sentir a dor das pessoas, de ser solidária e buscar soluções para e com as pessoas. Ao me deparar com essa realidade e conseguir perceber que essa realidade é sistêmica e se mantém assim por estar sempre em um ciclo de alternância de nomes mas não de projeto, senti a necessidade de fazer algo com o sentimento de indignação que cresce cada vez mais não só em mim, mas em muita gente. Em relação ao equilíbrio entre dedicação à política e a família, procuro manter dialogo com minha companheira para que eu possa sempre estar atento às demandas, afinal de contas, a prioridade máxima é a família.

CACO – Acreditamos que, se ficarmos sentados e de braços cruzados, o nosso mundo continuará igual. Identificamos um pronunciado e generalizado distanciamento dos valores de conduta ética, humanitária e ambiental que julgamos adequados para a prosperidade da nossa cidade. Sim, estamos na política para renovar e inovar, pensando sempre em ações práticas que levem em consideração políticas baseadas em evidências.

JULIO – A televisão há muito tempo não é uma diversão em minha vida por realmente não fazer parte do que considero lazer, a não ser o futebol. Em verdade, desde o Ensino Médio, na antiga FEM, me envolvi com o grêmio estudantil. Na Universidade Federal de Uberlândia participei do Diretório Acadêmico da Geografia e do Diretório Central dos Estudantes da UFU, presente no início do movimento Passe livre em 2005, como na política de cotas que fomos a terceira universidade do Brasil a implementar. Até 2009 estive muito ligado ao movimento estudantil, participando de três congressos nacionais da UNE como oposição a diversas posturas que consideramos na época não valorizar a educação pública gratuita e de qualidade. Me ocorreu que desde 2009 tive um hiato nessa participação efetiva na política. Portanto sempre fui ligado a política, seja pela educação ou pelo movimento estudantil, agora apenas resolvi – juntamente o apoio de minha esposa, de amigos e familiares – retornar à política.

JAIR LEMOS – Caco foi eleito pelo PSD, um “novo velho partido” fundado por Gilberto Kassab, portanto, de direita. E o PL, que elegeu Júlio Salomão, é também sabidamente um partido de direita. Sendo cidadãos guinados à esquerda, como vocês se filiaram a esses partidos?  Não havia opções?

CACO – O rótulo de “guinado à esquerda” não me representa e não direciona a minha ideologia política. Sempre pautei o meu direcionamento pela busca do bem comum e do bem-estar da população como um todo. O meu Norte não fica à direita ou à esquerda, mas voltado para onde o progresso da nossa população está. Sobre meu partido, meu foco não está nas pessoas que o compõem, mas sim naquilo que, ao mesmo tempo, sustenta e direciona a minha conduta ética e comportamental, os meus valores. Tenho muita vontade de levar a todos os cidadãos de nossa querida Cidade Amiga mais amor e compaixão, mais saúde e educação. Quero ter contato direto com a população e ser realmente a ferramenta para que absolutamente todos os cidadãos mirassolenses se sintam representados, independentemente de classe social, posicionamento político, raça, credo ou gênero.

JULIO – Infelizmente a falta de um projeto educacional que garanta uma formação política ao povo brasileiro (uma das diversas críticas que tenho à educação em nível nacional), criou-se uma ideia de que todo esquerdista defende ditaduras e autoritarismo, maneiras um tanto quanto vulgares etc…. Não há uma intenção real em conceber o que é a esquerda, quais são as visões políticas e econômicas dentro desse enorme escopo ideológico. Nesse sentido, em nossa cidade, não tivemos um partido de esquerda nessas eleições. Isso me levou a entrar em contato com Beto Feres, um amigo de longa data e me filiei ao PL. Posteriormente ao se fechar a coligação e a chapa, tive o prazer de conhecer o dr. Edson, pessoa que me deu muita abertura em projetos ligados ao meio ambiente, educação, cultura e projetos sociais. Isso tudo me levou a acreditar na proposta do dr. Edson e Beto.

JAIR LEMOS – Vocês sabem que, depois de eleitos, não é obrigatório estar filiado. Vocês pretendem deixar esses partidos?

CACO – Eu pretendo me manter no partido PSD. Eu trabalhei muito duro, fui às ruas, fiz uma campanha limpa com doações de familiares próximos. Caminhei, conversei com as pessoas, fui aceito pelo que sou, e não pelo que tenho. Dito isso, pretendo, com a coligação “Vamos que Vamos, Mirassol”, fazer a diferença na nossa cidade, como sempre busquei e me dediquei a fazer e, a partir de 2021 farei a diferença dentro da Câmara dos Vereadores de Mirassol.

JULIO – Hoje penso mais em conduzir nossos projetos de modo que nossos munícipes sejam atendidos. Primeiramente quero que as pessoas em maior situação de vulnerabilidade sejam atendidas. Depois podemos pensar em outros panoramas políticos.

JAIR LEMOS – Na campanha vocês devem ter se deparado com algum tipo de pedido comum nas ruas, como dinheiro para remédio, para gás ou conta atrasada, emprego para um parente, enfim, coisas que alguns eleitores acham normal, e que candidatos mal intencionados se aproveitam para comprar voto. Isso ocorreu com vocês?

JULIO – Majoritariamente as pessoas que votaram em mim me conhecem, nunca me foi feito nenhum desses pedidos. Tenho uma história de vida da qual muito me orgulho.

CACO – Sim, ocorreu. Infelizmente, essa é uma realidade de que alguns se utilizam para a manutenção do poder, para manter as pessoas recebendo serviços públicos municipais precários. É o que a antiga política utiliza para se perpetuar. As regras mudaram. A voz da população é clara e contundente: querem uma renovação massiva na forma como é feita a política e em como devem ser tratados todos os cidadãos e acima de tudo o respeito a todos com seus direitos, deveres e obrigações, e que a justiça seja feita.

JAIR LEMOS – Vocês foram eleitos vendendo a ideia de que é possível mudar a velha forma de se fazer política. Qual é a nova forma?

CACO – Posso dizer por mim, com toda convicção, que “vender uma ideia” não foi, e não é, o meu objetivo. O meu objetivo é demonstrar com atos concretos que a democracia exige ação e coragem. A política somente se tornará nova quando pessoas comuns forem eleitas e também preparadas para realizar a diferença em suas cidades. Devemos sempre pensar no plural, em pessoas com diferentes ideias, mas que tenham em comum a crença de que a política é lugar de honestidade, diálogo e dedicação.

JULIO – Isso de nova política é uma grande besteira. Quando pensamos na política clássica, nos teóricos políticos, nos rememoram termos como isonomia (o princípio de que todos são iguais perante a lei) e a isogonia (princípio do qual todos nascem iguais, portanto todos devem ter direitos de liberdade e fala). O que ocorre é que nunca praticamos a real política, a real democracia. Em pleno 2020, tratamos a política com emoção, como futebol. Enquanto não houver uma política séria em nosso país, nunca vamos ter nem nova e nem velha política. Temos uma mescla de autoritarismo, patriarcalismo, populismo, patrimonialismo, nepotismo e tantos outros “ismos”. Não há nova forma, quero trabalhar a política como ela deveria ser trabalhada desde sempre: como a ciência de se governar, com o uso da razão e garantindo o equilíbrio das relações sociais, econômicas e de poder.

JAIR LEMOS – Como ideias avançadas e modernas assim poderão encontrar apoio no Legislativo e Executivo, poderes ainda tão resistentes? Vocês não temem um isolamento político?

CACO – As tecnologias, aliadas a ideias avançadas e modernas, com a colaboração permanente da população, da voz dos bairros, conselhos, associações, entidades e instituições, criam um novo cenário para que esse isolamento não exista. É perfeitamente possível ser um grande político e fazer grandes feitos nos dias de hoje, contando com a força de projetos sociais, ambientais e da causa animal, por meio das redes sociais, dos compartilhamentos e comentários. É muito importante utilizar este quarto poder a nosso favor, criando sempre pontes entre projetos, poder público, cidadãos, instituições fortes, ideias e propostas.

JULIO – Se lermos “A República”, vamos ver que isso não é tão novo assim. Não acredito nesse possível isolamento. Acredito no diálogo e na cordialidade. Enfim, se há algo bom para o povo, porque algum vereador iria negar? Precisamos compreender que a Câmara é a Casa do Povo, se o vereador faz algo bom o povo aplaude, se não faz, que conte com as vaias e a pressão popular.

JAIR LEMOS – Uma de suas propostas, talvez a mais importante e desafiadora, é a política participava, com o cidadão sendo protagonista de seu destino nas decisões. Como convencer e organizar os cidadãos?

CACO – Entender que sem a participação cidadã o político não possui uma voz ressonante. Essa voz deve ecoar e chegar a todos os lados. Precisamos nos unir para criar uma cidade, um estado e um país melhores, mais justos e dignos de se viver, com serviços públicos de qualidade e lazer gratuitos. O acesso a políticas públicas de qualidade que promovam satisfação, dignidade e atendimento justo é algo que deve ser usufruído por todos de forma equitativa.

JULIO – Em minha candidatura, alguns amigos perguntaram como poderiam ajudar. Sugeri que formassem coletivos para que mesmo que não fosse eleito, ainda houvesse uma maneira de atuar por esses movimentos sociais. Além do mais, hoje temos a internet e apps que nos ajudam a ter total transparência e participação da sociedade em nosso mandato. Além de, claro, fazer uso de minhas redes sociais.

JAIR LEMOS – Adriano, o que são, que público os compõem e o que pretendem os movimentos Mirassol Popular e Frente Mirassol Sem Medo?

ADRIANO – São movimentos que nasceram a partir da necessidade de mobilizar as pessoas. O Movimento Mirassol Popular é pautado na articulação e viabilização de projetos sociais, tais como o SOS Corona Mirassol, que teve início em abril desse ano e que já atendeu mais de 610 famílias, e por meio de apoio a outras ações solidárias já impactou direta e indiretamente mais de 5 mil pessoas em Mirassol. Outros projetos encabeçados pela organização do MMP estão sendo estruturados e alguns já estão acontecendo. A perspectiva é de que possamos transformar vidas a partir de ações que possam de fato emancipar socialmente as pessoas, proporcionando acesso a informações e aprofundamento do envolvimento político da cidade. A Frente Mirassol Sem Medo é uma frente que busca a mobilização de movimentos sociais, coletivos e outras lideranças, visando transformar a dinâmica politico/social da cidade, através de uma percepção progressista.

JAIR LEMOS – Falando nesses movimentos, há um projeto político para as eleições de 2022?

ADRIANO – Há sim um projeto em andamento, muitas pessoas colocam esse questionamento em relação à minha atuação nos movimentos sociais. Há sim um projeto político, pois tudo é político! Inclusive tive a oportunidade de publicar um artigo falando sobre o tema. Não há pretensão política nessa atuação, há política de fato sendo feita e sem medo de dizer que é assim que se faz. Política para pessoas, emanando de uma construção de baixo pra cima!

JAIR LEMOS – E julho deste ano foi criado o Grupo Mirassol Antifascista no Whatsapp pelo Adriano, de onde saíram muitas discussões a respeito das eleições em Mirassol, inclusive com o engajamento de vocês dois. Vocês acham que esse grupo ajudou a eleger vocês? De que forma?

ADRIANO – Criei o grupo em Julho. E tenho a convicção de que é uma postura humanitária e um dever histórico se posicionar antifascista! Sou representante do grupo e me coloco em toda oportunidade que me é demandada em posicionamento antifascista. Não apenas mas também antirracista, anti-homofóbica, anti-xenofóbica, antimachista. Não dá pra dialogar com essa turma! Eles lá e eu cá!

CACO – Eu fui convidado a participar. Na verdade, eu sou aberto a ouvir sempre, a entender, a escutar e a avaliar. Sobre o fascismo, é um grave problema que teve início na Europa, porém acredito que criar muros entre pensamentos divergentes não busca soluções, mas sim conflitos injustificáveis. Devemos pensar em abordar as políticas públicas com projetos, ideias e propostas; com participação colaborativa e engajamentos que ajudem a melhorar a vida das pessoas nas cidades. As pontes são o caminho; já os muros nos deixarão cegos e refletirão no espelho do futuro a antiga lei de olho por olho, dente por dente, algo que tenho enfatizado que não funciona e nunca deve ser a opção.

JULIO – Sou administrador do grupo e, sim, sou antifascista. Alguém não é? Acredito que não o grupo em si, pois publiquei em todos os grupos de facebook e whatsapp da cidade. Todavia tenho plena convicção que meus votos vieram de anseios progressistas.

JAIR LEMOS – Caco, você disse em entrevista à TS Rádio que Nando Nogueira teria acenado que comporia com você na Câmara. Somado ao Júlio, significa que começa a nascer um grupo no futuro legislativo?

CACO – Sim, nossa coligação é formada por quatro vereadores eleitos, e estamos batalhando para a presidência da Câmara, a fim de decidir sobre as pautas apresentadas e deixar o Executivo mais eficiente. A política de bastidores é algo que as pessoas desconhecem, mas é 90% da política. Os outros 10% é o que vemos todos os dias na TV e nos noticiários. Tudo na política é decidido nestes 90%, e para que seja feita a vontade de todos, deve haver um consenso, porém a este consenso é difícil de se chegar devido à diferença de pensamentos e ideias. Contudo, nossa vontade de mudar a cidade está apenas começando. Estamos no caminho, e tenha a certeza de que chegaremos a um resultado de renovação, com o pensamento firme de que tudo tem seu propósito e seu motivo de ser.

JAIR LEMOS – Como vimos, a abstenção de votos, no primeiro e segundo turnos, atingiu patamares altíssimos. Em Mirassol foi mais de 28%, atitude atribuída ao Covid-19. Ocorre, porém, que em 2016, sem pandemia, foi de 21%, altíssima também. O que vocês pensam disso? É a desesperança com a classe política? Quais as consequências?

ADRIANO – Acredito que esse alto índice de abstenção seja um claro recado da população. As pessoas cansaram desse modelo de desenvolvimento político e econômico que exclui a maioria da população. As pessoas estão saturadas desse jogo que troca nomes mas não o projeto. Temos a oportunidade e o dever histórico de dialogar e apresentar uma alternativa de projeto para o futuro. Fazer política com “P” maíusculo e mostrar que é através da luta e da mobilização coletiva que conquistamos nossos direitos e dignidade.

CACO – Eu penso, e tenho a certeza da voz que ouvi nas ruas, que o problema do que ocorreu em Mirassol e em praticamente a maioria das cidades do Brasil não se deve ao Covid-19, e sim à insatisfação quanto à forma como a política está sendo feita: nebulosa, sem transparência, a portas fechadas e com reuniões secretas. A transparência será a diferença da nova política e o fim da velha política no futuro. Eu acredito e coloco toda minha fé que sim.

JULIO – Volto a falar da falta de educação política e crítica em nosso país. O brasileiro tem um problema muito grande em pensar de maneira autônoma. Ainda há aquela visão que todos os políticos são corruptos e muita gente se afasta. A sociedade não se sente representada. Precisamos mostrar ao povo de nossa cidade que todos devem se interessar por política, porque se não reivindicamos nossos direitos, viveremos à mercê de quem gosta de politicagens e práticas um tanto quanto controversas.

JAIR LEMOS – No sentido de política participativa, o que vocês diriam para a população, tendo em vista a próxima legislatura?

ADRIANO – Eles serão ouvidos! A Frente Mirassol Sem Medo está rodando a cidade, dialogando com lideranças e também com moradoras e moradores dos bairros. Acolhendo as demandas e propostas que vêm a partir da voz dessas pessoas, para que possamos construir um projeto de futuro que seja transformador. Elas sabem o que falta e o que pode ser melhorado, não dá pra continuar em um modelo de gestão que governa de costas para as pessoas. A Constituição Federal diz que o poder emana do povo, e é assim que tem que ser.

CACO –  Estamos trabalhando para que a população tenha voz ativa e participativa dentro das pautas a serem apresentadas entre Prefeitura e Câmara de Vereadores. Nós utilizaremos a agilidade e o alcance dos aplicativos de fiscalização e denúncias, que oferecem a transparência do que está acontecendo no exato momento dos fatos. Podemos dizer que nossa ideia é transformar a nossa cidade através da administração pública entre Prefeitura e Câmara em um local de política participativa, consultiva e deliberativa, no que tange à defesa da integridade e ao livre arbítrio de todos.

JULIO – Vou dar continuidade à minha página de facebook que foi utilizada para a campanha. Estou estudando um aplicativo que possa ser utilizado para acompanhar minha vereança, como também ainda vou ter um número de whatsapp business para receber mensagens de demandas, sugestões, críticas e para marcar reuniões. Irei reservar duas ou três tardes na minha semana para atender nossos munícipes.

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